Para as startups, a captação de recursos é um dos desafios mais importantes que determinam o crescimento da empresa. Não é preciso dizer que o apelo do produto e a capacidade de execução da equipe são fundamentais para atrair o interesse dos investidores; no entanto, nos últimos anos, a propriedade intelectual (PI), especialmente as patentes, vem ganhando destaque como um fator que influencia significativamente o sucesso ou o fracasso na captação de recursos.
A patente não é apenas um “certificado de tecnologia”. Para os investidores, a patente é um “fosso” que impede a entrada de concorrentes e uma evidência que comprova a vantagem competitiva sustentável do negócio. De fato, os casos em que a situação da propriedade intelectual é investigada detalhadamente durante a due diligence (DD) dos fundos de capital de risco (VC) vêm aumentando a cada ano, e estamos entrando em uma era em que a existência ou não de uma estratégia de propriedade intelectual está diretamente ligada à avaliação da empresa.
Neste artigo, explicaremos de forma abrangente por que as patentes são importantes na captação de recursos para startups, o que os investidores observam em relação à propriedade intelectual durante a due diligence, exemplos típicos de erros que prejudicam a avaliação dos investidores e estratégias de propriedade intelectual adequadas a cada rodada de captação de recursos. Empreendedores e gestores de startups que estão prestes a buscar financiamento devem ler este artigo até o fim.
Índice
No financiamento de startups, a existência de patentes influencia a tomada de decisão dos investidores de várias maneiras. Aqui, explicamos detalhadamente três razões pelas quais as patentes são importantes para o financiamento.
Quando um investidor investe em uma startup, um dos riscos que mais o preocupa é o “surgimento de concorrentes”. Mesmo que se trate de um produto ou serviço inovador, se a concorrência puder imitá-lo facilmente, a vantagem de ser pioneiro não durará muito tempo. A resposta mais eficaz a essa preocupação é a comprovação da vantagem tecnológica por meio de patentes.
O fato de possuir uma patente é prova de que a tecnologia passou por uma avaliação de novidade (ser uma tecnologia que ainda não existe no mundo) e de avanço (não ser algo que se possa facilmente imaginar a partir da tecnologia convencional). Trata-se de uma certificação objetiva concedida por um órgão independente, o Instituto de Patentes, e constitui, para os investidores, uma evidência altamente confiável que corrobora a capacidade tecnológica da empresa.
Em particular, possuir patentes relacionadas à tecnologia de ponta significa que é possível impedir legalmente que concorrentes entrem no mercado com a mesma abordagem. Os investidores veem um potencial de retorno mais alto em startups que possuem essa “capacidade de defesa”. Isso porque, com a existência de barreiras à entrada proporcionadas pelas patentes, é possível prever a manutenção e a expansão da participação no mercado.
💡 A patente como prova de vantagem competitiva
Uma das maiores ameaças para as startups é a imitação por parte de grandes empresas. Quando uma grande empresa, com recursos financeiros abundantes, equipes de desenvolvimento em grande escala e canais de vendas estabelecidos, entra no mesmo setor, é extremamente difícil para uma startup enfrentá-la de frente. No entanto, com a arma jurídica que é a patente, é possível reverter essa dinâmica de “Davi contra Golias”.
Os direitos de patente têm igual validade jurídica, independentemente da magnitude da invenção ou do tamanho da empresa do requerente. Em outras palavras, mesmo que a patente seja detida por uma startup com apenas 10 funcionários, é possível fazer valer seus direitos contra uma grande empresa com capitalização de mercado de vários trilhões de ienes. Caso uma grande empresa viole a patente e imite a tecnologia da startup, é possível contestá-la legalmente por meio de pedidos de liminar e indenização por danos.
Os investidores dão grande importância a esse ponto. Especialmente para startups que estão entrando em mercados em crescimento nos quais grandes empresas provavelmente demonstrarão interesse, a pergunta “O que você fará se uma grande empresa decidir entrar de verdade nesse mercado?” é inevitavelmente feita. Ser capaz de responder a essa pergunta dizendo “Possuímos patentes sobre a tecnologia de ponta e podemos impedir legalmente a entrada de concorrentes” é um grande fator positivo na decisão de investimento.
🛡️ O poder das patentes para impedir a imitação por parte de grandes empresas
O objetivo final dos investidores ao investir em startups é a saída por meio de IPO (oferta pública inicial) ou M&A (fusões e aquisições). A existência de um portfólio de patentes exerce uma influência extremamente significativa no valor da empresa no momento da saída.
No contexto de uma IPO, a propriedade intelectual, incluindo as patentes, é avaliada como um “ativo intangível” da empresa. Mesmo na análise de listagem, a situação da propriedade intelectual é verificada do ponto de vista da sustentabilidade e da competitividade do negócio; portanto, uma carteira de patentes robusta funciona como um fator positivo na preparação para a listagem. Além disso, na formação do preço das ações após a listagem, a vantagem tecnológica proporcionada pelas patentes gera confiança nos investidores.
No contexto de fusões e aquisições (M&A), o valor das patentes é ainda mais direto. Para a empresa adquirente, o portfólio de patentes da empresa-alvo é um “ativo” que pode ser obtido imediatamente por meio da aquisição. Considerando o tempo e o custo necessários para desenvolver tecnologia equivalente internamente, é comum que um prêmio seja adicionado ao preço de aquisição de uma startup detentora de patentes.De fato, nas fusões e aquisições no setor de tecnologia, não são raros os casos em que uma parte significativa do preço de aquisição é calculada com base no valor da propriedade intelectual, incluindo as patentes.
💰 Impacto da propriedade intelectual na saída
📈 O impacto das patentes na avaliação A existência
ou não de um portfólio de patentes tem impacto direto na avaliação de uma startup (avaliação do valor da empresa). Em particular, em rodadas a partir da Série A, há relatos de casos em que a avaliação de startups detentoras de patentes é 20% a 50% ou mais superior à de concorrentes do mesmo setor que não possuem patentes.Como os investidores consideram que “patentes = mecanismo para proteger os lucros futuros”, a existência de patentes aumenta a certeza do fluxo de caixa futuro e, consequentemente, leva a uma avaliação mais alta. Avançar estrategicamente com o pedido de patentes desde o estágio inicial pode ser considerado um dos investimentos com melhor custo-benefício na captação de recursos.
Na due diligence (DD) do processo de captação de recursos, os investidores realizam uma investigação multifacetada sobre a propriedade intelectual. Aqui, explicamos os quatro pontos aos quais os investidores dão especial importância. Ao compreender esses pontos com antecedência e se preparar adequadamente, é possível passar pela DD sem dificuldades e obter uma avaliação positiva dos investidores.
O primeiro aspecto que os investidores verificam é se as patentes solicitadas e obtidas estão alinhadas com o negócio real. Mesmo que a empresa possua um grande número de patentes, se elas não estiverem relacionadas ao negócio principal, isso não resultará em uma avaliação positiva por parte dos investidores. Pelo contrário, existe até o risco de ser interpretado negativamente como “solicitação de patentes sem estratégia”.
O que os investidores buscam é uma situação em que a estratégia de negócios e a estratégia de propriedade intelectual estejam integradas. Especificamente, é importante que as tecnologias que constituem os elementos de diferenciação do produto estejam cobertas por patentes, que exista um plano de pedidos de patentes alinhado com a direção da expansão futura dos negócios e que esteja sendo construído um portfólio com vistas à futura expansão no mercado.
Por exemplo, no caso de uma startup que desenvolve sistemas de diagnóstico médico utilizando IA, uma estratégia de patentes que abranja de forma abrangente todos os elementos do produto — não apenas o algoritmo de IA em si, mas também os métodos de pré-processamento de dados, a interface do usuário e a forma de exibição dos resultados do diagnóstico — será altamente valorizada.
✅ Pontos de verificação da coerência com o negócio
A pesquisa FTO (Freedom to Operate) é uma investigação que verifica se as atividades comerciais da empresa não infringem os direitos de patente de terceiros. Para os investidores, o risco de a empresa alvo do investimento infringir patentes de terceiros é uma questão extremamente grave. Isso porque, caso seja constatada uma infração de patente, pode ser difícil continuar os negócios devido a uma ordem de cessação, ou podem ocorrer indenizações por danos de valor exorbitante.
Durante a DD, os investidores verificam se a startup realizou a pesquisa FTO e se, como resultado, a liberdade de suas atividades comerciais está garantida. Caso a pesquisa FTO não tenha sido realizada, os investidores podem considerar que “os riscos potenciais de violação de patentes não foram identificados”, o que pode levar ao adiamento do investimento ou ao endurecimento das condições (como redução da avaliação ou adição de cláusulas especiais).
Idealmente, é importante concluir a investigação FTO na fase prévia à captação de recursos, esclarecendo a existência ou não de riscos e definindo medidas preventivas. Mesmo que sejam identificados riscos, é possível dissipar as preocupações dos investidores preparando medidas de mitigação, como alterações no projeto ou aquisição de licenças. Mais do que “a ausência total de riscos”, “identificar os riscos e gerenciá-los adequadamente” é o que leva à avaliação positiva por parte dos investidores.
✅ Pontos a serem verificados na investigação de FTO
Um dos fatores mais importantes que determinam o valor de uma patente é a qualidade das reivindicações (escopo da patente). Os especialistas em propriedade intelectual envolvidos na due diligence (DD) dos investidores examinam minuciosamente as reivindicações das patentes já concedidas ou em processo de registro, a fim de verificar se o escopo dos direitos protege adequadamente o negócio.
Se as reivindicações forem muito restritas, os concorrentes poderão contornar o escopo dos direitos e implementar tecnologias semelhantes, o que reduz significativamente a capacidade de defesa da patente. Por outro lado, se as reivindicações forem muito amplas, há o risco de invalidação em relação à técnica anterior. O que os investidores avaliam são “reivindicações que não sejam nem muito amplas nem muito restritas, mas que abranjam com precisão o cerne do negócio”.
Além disso, o equilíbrio entre as reivindicações independentes (reivindicações principais) e as reivindicações dependentes (reivindicações secundárias) também é importante. Um portfólio em que as reivindicações independentes abrangem um amplo escopo, enquanto as reivindicações dependentes limitam gradualmente as formas de realização específicas, apresenta alta resistência a processos de invalidação e recebe alta avaliação dos investidores. A elaboração estratégica das reivindicações em colaboração com o advogado de patentes é o ponto-chave da estratégia de propriedade intelectual com vistas à captação de recursos.
✅ Pontos de verificação da qualidade das reivindicações
Para startups com planos de expansão global, os investidores verificam detalhadamente a estratégia de proteção de propriedade intelectual no exterior. Como os direitos de patente se baseiam no princípio da territorialidade, as patentes obtidas no Japão são válidas apenas no território japonês. Se, apesar de planejar a entrada em mercados internacionais, a empresa tiver feito apenas registros no Japão, os investidores avaliarão isso como uma falha na estratégia de propriedade intelectual.
A estratégia global ideal de propriedade intelectual consiste em avançar gradualmente com os pedidos em cada país, com base na prioridade da expansão dos negócios. A abordagem que consiste em, primeiro, garantir a data de depósito por meio de um pedido PCT (pedido internacional com base no Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes) e, posteriormente, dentro de 30 meses, realizar a transição para cada país de acordo com o plano de negócios, é excelente tanto em termos de eficiência de custos quanto de flexibilidade estratégica.
Os investidores avaliam não apenas a situação e os planos de registro nos principais mercados-alvo (EUA, Europa, China etc.), mas também se foi elaborada uma estratégia que leve em conta as diferenças entre os sistemas de patentes de cada país (princípio da invenção anterior e princípio do primeiro a registrar, diferenças nos critérios de exame etc.). A construção de um portfólio internacional de propriedade intelectual é um indicador importante do potencial de crescimento para se tornar uma empresa global.
✅ Pontos-chave da estratégia global de propriedade intelectual
A seguir, apresentamos um resumo da lista de verificação de propriedade intelectual que os investidores analisam durante a DD. Antes de iniciar o processo de captação de recursos, certifique-se de estar preparado em relação a cada item.
| Itens de verificação da DD | Conteúdo verificado pelos investidores | Resposta/situação ideal |
|---|---|---|
| Coerência com o negócio | A patente protege o negócio principal? | O plano de negócios e a estratégia de propriedade intelectual estão interligados, e a tecnologia principal está abrangida de forma completa |
| Pesquisa de FTO | Existência ou não de risco de violação de patentes de terceiros | A investigação FTO já foi realizada, os riscos estão sob controle e medidas de prevenção estão preparadas |
| Qualidade das reivindicações | Equilíbrio entre a amplitude do escopo dos direitos e o risco de invalidação | Reivindicações que abrangem com precisão o cerne do negócio, difíceis de contornar e com baixo risco de invalidação |
| Estratégia global | Plano de proteção de propriedade intelectual nos mercados internacionais | Pedido PCT já apresentado e plano de transição para os principais mercados claramente definido |
Para obter sucesso na captação de recursos, é essencial compreender o que “não se deve fazer” em relação à propriedade intelectual. Apresentamos aqui três exemplos típicos de falhas que prejudicam significativamente a avaliação dos investidores. Todos eles são frequentemente observados em startups reais e podem ser evitados se forem reconhecidos antecipadamente.
Um dos erros fatais mais comuns cometidos por startups é divulgar o conteúdo da invenção antes do depósito do pedido de patente. De acordo com a Lei de Patentes do Japão, se o conteúdo da invenção se tornar de conhecimento público (tornar-se publicamente conhecido) antes do depósito, em princípio não é possível obter a patente (perda de novidade). Isso inclui apresentações em congressos, publicação de artigos, apresentações em feiras, publicação em sites e até mesmo apresentações em eventos de pitch.
No Japão, existe uma medida de reparação chamada “exceção à perda de novidade”, mas esse sistema tem restrições processuais e, além disso, há muitos países onde ele não se aplica a pedidos internacionais. Particularmente nos Estados Unidos, há um período de carência de um ano (grace period), mas na Europa e na China, em princípio, não são aceitos pedidos após a divulgação. Portanto, quando se visa a obtenção de direitos globais, a divulgação de informações antes do pedido traz consequências fatais.
Se essa questão for descoberta durante a due diligence (DD) dos investidores, será considerado que “a gestão da propriedade intelectual não está sendo realizada adequadamente”, o que levará ao cancelamento do investimento ou a um agravamento significativo das condições. Em particular, o caso de se realizar um pedido de patente após explicar os detalhes da tecnologia em um evento de apresentação é um padrão de falha frequentemente observado na captação de recursos por startups.
⚠️ Exemplo de falha 1: Divulgação de informações antes do pedido Qualquer ato de divulgação antes do pedido de patente — como eventos
de apresentação, demo days, apresentações em congressos ou introdução da tecnologia nas redes sociais — apresenta o risco de perda de novidade. Especialmente se você estiver considerando um pedido no exterior, como muitos países não aplicam exceções à perda de novidade, siga rigorosamente o princípio de “primeiro o pedido, depois a divulgação”.A divulgação restrita a partes com as quais tenha sido assinado um NDA (Acordo de Confidencialidade) antes do pedido é permitida, mas a divulgação a um público não específico deve ser absolutamente evitada.
A ambiguidade quanto à titularidade dos direitos de patente (quem é o proprietário da patente) constitui um fator de risco significativo para os investidores. Em startups, não são raros os casos em que os membros fundadores iniciam o negócio com base em tecnologias desenvolvidas enquanto estavam matriculados na universidade ou empregados em empresas anteriores, ou ainda quando o desenvolvimento é terceirizado para engenheiros externos ou freelancers. Nesses casos, a relação entre o inventor e o titular da patente tende a ficar pouco clara, o que frequentemente se torna um problema durante a due diligence (DD).
De acordo com a Lei de Patentes do Japão, o direito de obter uma patente pertence, em princípio, ao inventor. No que diz respeito a invenções realizadas por funcionários da empresa no exercício de suas funções (invenções de serviço), é possível estipular antecipadamente, por meio de regulamentos de trabalho, a transferência de direitos para a empresa; no entanto, caso essa disposição não esteja estabelecida, existe o risco de surgirem disputas em torno da atribuição de direitos. Além disso, quando cofundadores estão envolvidos na invenção, o tratamento de patentes compartilhadas também se torna um problema.
Na pior das hipóteses, a questão da atribuição de direitos pode evoluir para um litígio com membros fundadores que se demitiram ou com prestadores de serviços externos, representando um risco para a sobrevivência do negócio. Como os investidores atribuem grande importância a esse risco, a captação de recursos em uma situação em que a atribuição de direitos não esteja claramente definida torna-se significativamente desfavorável.
⚠️ Exemplo de falha 2: Ambiguidade na atribuição de direitos A falta
de clareza quanto às relações dos membros fundadores com seus empregadores anteriores ou universidades, bem como às relações de direitos com prestadores de serviços externos, representa um risco grave para os investidores.Antes da captação de recursos, esclareça a atribuição de direitos de todas as patentes e elabore os contratos de cessão e as normas sobre invenções de serviço necessários. É essencial, em particular, deixar claramente documentado o acordo entre os cofundadores sobre propriedade intelectual, as cláusulas de propriedade intelectual nos contratos de prestação de serviços com desenvolvedores externos e o tratamento dos direitos nos contratos de pesquisa conjunta com universidades.
Para startups com forte consciência de custos, é natural buscar reduzir os custos dos pedidos de patente. No entanto, sacrificar a qualidade do pedido em nome da redução de custos acarreta grandes perdas a longo prazo. Em particular, não são raros os casos em que se obtêm patentes praticamente inúteis ao realizar o pedido por conta própria sem conhecimento especializado ou ao contratar agentes de baixa qualidade que vendem serviços a preços baixos.
Exemplos típicos de pedidos de baixa qualidade incluem: o escopo das reivindicações ser desnecessariamente restrito (descrevendo literalmente a configuração específica do produto implementado, o que permite contorná-lo com pequenas alterações no projeto); descrições insuficientes na especificação, limitando a interpretação do escopo dos direitos; e pesquisas técnicas prévias insuficientes, aumentando a probabilidade de rejeição.
Quando especialistas em propriedade intelectual examinam as reivindicações durante a due diligence (DD) dos investidores e detectam esses problemas, a conclusão é que “embora a patente tenha sido obtida, ela não oferece defesa efetiva”. Isso pode causar uma impressão ainda pior do que a ausência de patente. Isso porque fica claro que “apesar do investimento em propriedade intelectual, não houve resultados”. Mesmo com um orçamento limitado, é importante não comprometer a qualidade do pedido e trabalhar em parceria com um advogado de patentes experiente.
⚠️ Exemplo de falha 3: Barato, mas de má qualidade Se a qualidade do
pedido for sacrificada para reduzir custos, há o risco de as reivindicações serem muito restritas, permitindo que os concorrentes as contornem facilmente, tornando a patente, na prática, “inutilizável”. Se esse problema for descoberto durante a DD dos investidores, a avaliação pode ser ainda mais negativa do que se não houvesse patente.O objetivo da patente não é “obter”, mas “obter uma patente que possa ser utilizada”. Colabore desde o início com um advogado especializado em estratégia de patentes e procure fazer um pedido que aproveite ao máximo o orçamento limitado.
É importante desenvolver a estratégia de propriedade intelectual de uma startup de forma gradual, de acordo com as rodadas de captação de recursos. Apresentamos a seguir as expectativas dos investidores em cada rodada e as medidas de propriedade intelectual correspondentes.
Nos estágios Semente a Inicial, muitas vezes a direção do negócio ainda não está definida, e a construção de um portfólio de propriedade intelectual em grande escala não é viável. O que os investidores valorizam nessa fase é a “postura de pensar estrategicamente em propriedade intelectual” e a “proteção mínima da tecnologia de base”.
Como ação concreta, recomenda-se, em primeiro lugar, apresentar pelo menos um pedido de patente referente à tecnologia de base. Mesmo que, neste momento, o pedido esteja na fase de solicitação (antes do pedido de exame), o próprio status de “pedido apresentado” já constitui um sinal positivo para os investidores. Além disso, a elaboração de uma estratégia básica de propriedade intelectual alinhada ao plano de negócios, a formalização de acordos entre os membros fundadores relativos à propriedade intelectual e a preparação de modelos de acordos de confidencialidade (NDA) são itens que devem ser tratados nesta fase.
Para gerenciar a propriedade intelectual de forma eficaz com um orçamento limitado, uma boa opção é utilizar um contrato de consultoria com um advogado especializado em patentes. Por um custo mensal de cerca de algumas dezenas de milhares de ienes, é possível receber consultoria sobre propriedade intelectual e orientação sobre o momento certo para o depósito de pedidos, o que constitui uma abordagem altamente econômica.
🌱 Ações de PI na fase de semente a inicial
Nas rodadas de financiamento a partir da Série A, as expectativas dos investidores em relação à propriedade intelectual aumentam significativamente. Nesta fase, não basta apenas registrar patentes; é necessário construir um portfólio de propriedade intelectual sistemático e um sistema de gestão que o sustente.
Na Série A, espera-se a apresentação de vários pedidos de patente que abranjam, além da tecnologia central, tecnologias periféricas e desenvolvimentos tecnológicos futuros. A conclusão da pesquisa de liberdade para comercialização (FTO), a organização completa da atribuição de direitos e a elaboração de uma lista de patentes solicitadas e registradas (mapa de patentes) são itens que devem ser preparados nesta fase. Além disso, deve-se iniciar os preparativos para a obtenção de direitos globais por meio de pedidos PCT.
A partir da Série B, é exigida uma gestão de propriedade intelectual ainda mais avançada. A revisão e o fortalecimento periódicos do portfólio de patentes, o monitoramento das tendências de patentes dos concorrentes, a formulação de estratégias de licenciamento e a garantia da capacidade de resposta a disputas de propriedade intelectual são elementos importantes. Além disso, nesta fase, é indispensável designar um responsável pela propriedade intelectual dentro da empresa ou estabelecer um sistema de colaboração contínua com especialistas externos em propriedade intelectual.
Na fase de preparação para a IPO, também é necessário preparar-se para a due diligence relacionada à propriedade intelectual, elaborar relatórios de propriedade intelectual e organizar a divulgação de riscos relacionados à propriedade intelectual. Como o sistema de gestão de propriedade intelectual também é verificado durante a análise de listagem, é importante estabelecer um mecanismo organizacional de gestão de propriedade intelectual.
🚀 Ações de PI a partir das Série A e B
A tabela a seguir resume as diferenças nas estratégias de propriedade intelectual em cada rodada de captação de recursos.
| Rodada | Expectativas dos investidores | Medidas recomendadas em matéria de propriedade intelectual | Prioridade |
|---|---|---|---|
| Semente | Verificação da conscientização sobre propriedade intelectual | Registro de tecnologias essenciais (1 a 2), elaboração de acordos de confidencialidade (NDA) e acordos entre os fundadores | Construção da base |
| Fase inicial | Proteção básica da propriedade intelectual | Elaboração da estratégia de propriedade intelectual, contrato de consultoria com advogado especializado em propriedade intelectual, elaboração de regulamento sobre invenções de serviço | Estruturação da organização |
| Série A | Portfólio sistemático | Vários pedidos de patente, pesquisa de FTO, pedidos PCT, elaboração de mapas de patentes | Desenvolvimento da estratégia |
| Série B e seguintes | Gestão madura de propriedade intelectual | Monitoramento da concorrência, estratégia de licenciamento, alocação de pessoal para PI, preparação para IPO | Operações avançadas |
Neste artigo, explicamos a importância das patentes na captação de recursos para startups, com foco na perspectiva dos investidores. Aqui, vamos reorganizar os pontos que devem ser lembrados.
📋 Pontos-chave deste artigo
O papel da propriedade intelectual na captação de recursos vem se tornando cada vez mais importante. As patentes são uma das ferramentas mais eficazes para comprovar objetivamente aos investidores a vantagem tecnológica das startups e para respaldar o potencial de crescimento e a sustentabilidade do negócio. Iniciar a estratégia de propriedade intelectual mesmo na fase em que se pensa que “ainda é cedo” é o que, no final das contas, traz o maior retorno.
O escritório de propriedade intelectual EVORIX oferece suporte abrangente, desde a elaboração de estratégias de propriedade intelectual voltadas para a captação de recursos de startups até o depósito de pedidos de patente, a construção de portfólios e o atendimento à due diligence de propriedade intelectual para investidores. Comece com uma consulta gratuita para que possamos definir juntos a estratégia de propriedade intelectual mais adequada à situação da sua empresa.
Que tal começar agora mesmo uma estratégia de propriedade intelectual para garantir o sucesso da captação de recursos?
Nossos advogados especializados em propriedade intelectual, com vasta experiência no apoio a startups, proporão a estratégia de patentes ideal para a tecnologia e os negócios da sua empresa. Comece
com uma consulta gratuita e inicie a construção de um portfólio de propriedade intelectual que será valorizado pelos investidores.
AUTOR / Redator
Takefumi Sugiura
Representante e advogado especializado em propriedade intelectual do escritório EVORIX
Presta assessoria a clientes de diversos setores, como TI, manufatura, startups, moda e medicina, desde o depósito de pedidos de patentes, marcas, desenhos e modelos e direitos autorais até processos de julgamento e ações por violação. É especialista em estratégias de propriedade intelectual em áreas de ponta, como IA, IoT, Web3 e FinTech. Membro de várias associações, incluindo a Ordem dos Advogados de Propriedade Intelectual do Japão, a Associação Asiática de Advogados de Propriedade Intelectual (APAA) e a Associação Japonesa de Marcas (JTA).